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Tom Morello conheceu The Nightwatchman e eles estão se dando bem juntos. Desde 1990, Morello é conhecido como um dos maiores guitarristas do rock --ele foi eleito como o 26º dentre os 100 Maiores Guitarristas de Todos os Tempos pela revista "Rolling Stone"-- graças ao seu trabalho com bandas como Rage Against the Machine e Audioslave.
Mas há seis anos ele pegou um violão e começou a compor e cantar "canções folk de protesto" politicamente carregadas, como ele as chama, sob o nome de The Nightwatchman (em tradução livre, o vigia noturno). As duas personalidades de Morello coexistem pacificamente, mas nunca tinham se encontrado até agora.
The Fabled City", o segundo álbum solo de Morello, foi lançado no ano passado sob o nome "Tom Morello - The Nightwatchman". E, diz o músico de 44 anos, ele não tem o desejo de ser conhecido de outra forma.
"Eu me sinto mais à vontade fazendo uma ponte entre meu trabalho como cantor/compositor de música folk e de protesto e meu trabalho como roqueiro e guitarrista", diz Morello, acrescentando que "Fabled City" tem um trabalho instrumental mais elaborado e usa efeitos de guitarra, apesar de ser um trabalho em violão, assim como conta com arranjos de banda completos, com riffs e solos de violão intactos.
"E agora quando toco ao vivo, eu posso passar de uma intimidade dylanesca, delicada, para o arrojo hendrixiano de uma torre de amplificadores Marshall. Assim me sinto à vontade usando meu nome em conjunto com 'The Nightwatchman', porque todos os meus lados artísticos estão em exibição", conta.
O caminho que levou Morello a este ponto está entre os mais sinuosos e únicos na história do rock and roll. Ele tem um histórico estranhamente semelhante ao do presidente Barack Obama. "Ambos temos pais quenianos e mães brancas do meio-oeste, frequentamos Harvard e... somos devastadoramente bonitões", diz Morello, nascido em Nova York, rindo.
Ambos também viveram na área de Chicago, onde a mãe de Morello lecionava no colégio suburbano Libertyville. Seu pai, Ngethe Njoroge, foi o primeiro embaixador do Quênia na ONU.
A família experimentou um pouco de racismo na predominantemente branca Libertyville --incluindo um laço de forca pendurado na garagem na família, como lembra o guitarrista-- mas Morello se estabeleceu cedo como músico prodígio, cantando em uma banda cover do Led Zeppelin, chamada Nebula, quando tinha apenas 13 anos.
Ele logo passou para a guitarra, mas estava mais concentrado na escola, onde cantava no coral, participava ativamente dos grupos de discurso e teatro --um papel favorito era o de Oberon em "Sonhos de Uma Noite de Verão" de Shakespeare-- criou um jornal underground, alternativo, e foi diretor de campanha de um candidato anarquista fictício em uma simulação de eleição na escola.
Posteriormente, após frequentar Harvard, Morello começou a tocar guitarra mais seriamente, formando uma banda chamada Electric Sheep com o vizinho Adam Jones, atualmente o guitarrista da banda Tool.
Após se formar com honras em Harvard, Morello foi para Los Angeles, onde trabalhou como assessor do senador Alan Cranston (democrata da Califórnia) antes de se dedicar em tempo integral à música com a banda Lock Up, que lançou um álbum, "Something Bitchin' This Way Comes" (1989), antes de se separar em 1990.
Tempos de Rage Against the Machine
Um ano depois Morello montou o Rage Against the Machine, um grupo que visava ser política e musicalmente provocante, usando sua mistura inovadora de rap e rock para fazer discursos políticos e sociais agressivos que não hesitavam em citar nomes.
"Eu acho que desde a eleição de Reagan, eu passei a ver minha política e minha música como sendo de oposição", diz Morello, que mantém um centro de informação sobre ativismo de base chamado Axis of Justice (em português, eixo da justiça) juntamente com Serj Tankian, do System of a Down. "Eu nem mesmo sou democrata. O Partido Democrata está cerca de 20 quilômetros à direita do meu pensamento político."
Como The Nightwatchman, que ele lançou com a turnê "Tell Us the Truth" em 2003, Morello encontrou uma voz musical ainda mais forte para esta política. Declarando que "você não precisa de volume alto, filho, para ser pesado", Morello rotulou seu violão como uma arma --ele conhece bem a mensagem "Esta máquina mata fascistas" que Woody Guthrie gravou em seu violão-- enquanto cantava canções afiadas protestando contra a guerra, corrupção, pobreza e erosão dos direitos civis.
"É um recuo do conforto das bandas de rock de arena e a criação do meu próprio caminho, não esperando por um movimento, sem depender da alta da maré da inquietação para que ela alcance meus sentimentos. É uma expressão real de afastamento e de fazer minha própria coisa."
O coração da mensagem do The Nightwatchman, entretanto, é o envolvimento e engajamento, pedindo aos ouvintes, enquanto cantava em seu primeiro disco solo, "One Man Revolution" (2007), para "aproveitarem o momento e invadir a torre".
"Eu nunca acreditei que os agentes da mudança sejam autoridades eleitas. Eu acho que qualquer mudança real progressista, substancial, radical ou revolucionária para melhor que tenha ocorrido em nosso país --e, francamente, ao redor do mundo-- aconteceu porque pessoas cujos nomes não estão nas cédulas ou nos livros de história se reuniram, se organizaram e lutaram para tornar melhor suas vidas e a de suas comunidades."
"A conquista do direito de voto pelas mulheres, a dessegregação dos restaurantes, o desmonte do apartheid na África do Sul... Não foram atos de benevolência de um presidente, da Suprema Corte ou de um senador. Foram as pessoas que se organizaram e lutaram pelos seus direitos. Eu acho que é desta forma que as mudanças acontecem."
Assim, apesar de estar contente com a eleição de Obama, Morello não espera que isso por si só crie uma mudança fundamental. "Eu não nego que há um sentimento de esperança pela primeira vez na minha vida. Eu espero que tenha nascido um novo dia. Mas, por outro lado, eu realmente acredito que o sistema no qual vivemos é fundamentalmente um Estado de um só partido-corporação com duas direitas".
"Nós ainda temos duas guerras injustas, uma crise financeira horrenda, uma disparidade brutal entre ricos e pobres e o meio ambiente despencando no abismo. Todas estas coisas ainda precisam ser enfrentadas, logo... é importante que tratemos destas questões e continuemos a luta."
Em outras palavras, ele diz, "The Nightwatchman não lançará um álbum de baladas românticas". The Nightwatchman continuará fazendo música, apesar do universo musical de Morello ter muitas outras partes.
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